Quando você voltou de lá

papodorooh
4 Comentários

Já faz meses que não nos vemos, nem sei se ainda me lembro do seu cheiro. Soube que tirou a barba, acho que não foi só isso que amava em você que você perdeu. Seus olhos nas fotografias não parecem os mesmos, sonhei semanas seguidas com aquele seu cabelo bagunçado e os seus dedinhos roxos apertando minhas coxas, todas essas bobeiras que você não tem mais. Tirou a barba, mudou o olhar, comprou sapatos, e roupas novas e não lembra mais da minha voz, nem dos meus beijos de manhã com gosto de halls e nicotina. Acho que eu também mudei, me enterrei num mundo de debates e sequencias de falas, me enterrei num mundo que nunca me pertenceu, com todos aqueles entorpecentes que eu ainda não aprendi a usar. Nem sei se um dia vou. Queria te contar das novidades, do quanto tudo deu certo pra mim desde que você se foi, exceto a minha velha mania de querer de novo seu corpo do meu lado, ainda mais nesse frio que ta fazendo hoje, parece que meus pés criaram uma capa própria de resistência e nem sentem mais o vento gelado bater. Você não está mais aqui pra me obrigar a calçar meias, então eles vivem flutuando pelo espaço vazio e friorento. Sabe que eu nunca vou me acostumar a não ter uma mensagem sua no celular, também nunca vou me adaptar a olhar sua fotografia beijando outra pessoa, mesmo que eu já tenha visto isso pessoalmente e isso tenha me causado o mesmo dano que agora. Falando assim parece que eu petrifiquei à sua espera. Talvez. Ou talvez eu tenha investido na minha falta de sorte e trabalhei um pouco mais. Passaram-se meses, passaram-se homens e cá estou retornando a você. Com a mesma cara bestificada do primeiro dia em que te vi com aquela gaiola na mão. Falar nisso, queria noticias da nossa princesa, saber como ela está. Não é justo me afastar assim de toda a sua vida. Me sinto uma stalker em seu nível máximo de loucura falando sobre todas essas coisas das quais sinto falta, mas não é tanto assim, eu juro que vivi sem você. Juro que nem todos os meus dias foram cinzas, que tiveram momentos de felicidade absoluta, sobretudo quando vejo meus planos profissionais alçando voo, mas tudo que eu realmente queria era que você estivesse segurando a minha mão agora e me encorajando a continuar, você não sabe o quanto suas encaradas desonestas me fizeram bem, e o quanto eu poderia estar melhor se ainda estivesse aqui. Talvez eu não seja uma psicopata doente de amor, talvez doente de amor, mas não de modo terminal. O que quero dizer é que tudo que estou escrevendo e dizendo é pra que entenda que existe um vazio aqui, e por mais que eu troque a posição dos móveis e compre quadros pras paredes, nada se preenche porque as certezas ainda são as mesmas. Ainda tenho consciência de que sem a cor dos seus olhos em mim a casa fica infinitamente sombria, e fúnebre. Há alguns meses, nessa mesma noite de sábado eu estava me preparando pra te encontrar, a gente ia tomar pinga com café, ouvir música e falar de clássicos revolucionários e isso era tudo que eu poderia desejar de mais puro pra vida, e agora, veja só que ironia. Estou te escrevendo com o pseudônimo de outra. Estou te contando o quanto não sou eu mesma sem você, porque os seus olhos me indicavam a direção, mesmo sem você saber. Me sentir completa era o que me mantinha viva, e isso eu não tenho mais. Não porque você se foi, mas porque você ainda permanece aqui. E eu não sei o que fazer para mudar isso.


Eu só me acho em ti

papodorooh
5 Comentários

Texto por: Rafaela Araujo (leitora do blog)

Eu me perco à cada dia mais no labirinto que ele criou. Mas toda vez que ele sorri , eu me afasto mais da saída, ele sabe me ter em suas mãos. Mas eu também não quero sair, quero permanecer. Eu pulo do penhasco sabendo que ele não vai me segurar. Mas qual o problema? Se depois ele cura minha dor sem ao menos perceber. Eu me jogo em seus braços sabendo que ele vai soltar. Mas sempre torcendo pra ele segurar de novo. Eu entro no jogo sabendo que vou perder. Mas quem se importa? A vida não é só ganho, ainda mais no amor. Eu perco a vergonha na cara sempre que me encontro em seus braços. Porque só ele sabe o que eu gosto. Eu perco o medo quando ele jura estar comigo mesmo eu sabendo que é mentira. Afinal, ele diz com tanta certeza, que até me convence.

Eu perco o chão e o ar quando vejo o carro virando a esquina. Afinal, fiquei o dia inteiro esperando por isso. Eu perco o juízo quando ele me puxa pela cintura e pede pra eu ficar um pouco mais. O relógio para, e eu também não tenho pressa alguma. Eu me perco naquele sorriso. Ainda mais quando sei que sou o motivo. Naquele olhar. Que muitas vezes vem acompanhado de desejo e malícia. Naquele beijo. Aliás, o melhor que já provei. Naquele corpo e naquele charme. Que incrivelmente, só ele tem. Mas de tanto me perder, eu só me acho nele. Eu acho lindo quando nossos sorrisos se completam, quando ele jura ser só meu, quando ele me olha e eu dou risada sem pensar. Eu só me acho quando ele faz eu me perder. Eu só fico feliz quando ele está comigo. Afinal , eu já não quero mais sair do labirinto que ele criou. Eu quero jogar o seu jogo, ser dele, pois eu sei que no fundo, ele é meu também.

Pode ser loucura, mas quanto mais eu me perco, mais eu me acho. Isso deve ser paixão, amor, não sei, mas desde que ele chegou, me perco em sonhos, em planos e projetos, e ele é o principal protagonista. E eu aceito me perder. Porque se ele estiver ao meu lado, eu não precisarei de mais nada. Pois veja bem, fiquei tanto tempo perdida, e quando achei que ia me achar, me perdi de novo – Mas dessa vez em algo bom, maravilhoso, que me faz feliz. Essa vida é mesmo louca, tive que me perder pra me achar. E gostei. Chamem isso de loucura, do que quiser, mas quem nunca se perdeu no amor  não sabe o que é se achar.

E ai, gostaram? Quer ver seu texto publicado aqui no blog também? Mande-o para contato@papodorooh.com.br que vamos ler e publicá-lo, beijos (:


Dê voz ao seu silêncio!

papodorooh
2 Comentários

Antes de qualquer coisa, uma breve apresentação, para não tomar o seu tempo de forma grosseira. Eu sou James Jefferson, 21 anos; estudante de Psicologia; criatura contraditória em tempo integral.

Na minha mais íntima imaginação eu vejo os escritores, anônimos ou famosos, como seres humanos armados contra a grosseria, incivilidade, selvageria, ignorância. Para mim, esses são os maiores soldados que o Bem pode ter. Mesmo não sabendo usar tão bem as pontuações, podemos perceber que, mesmo assim, conseguimos expressar o que há por trás do nosso silêncio.

Particularmente, vejo a escrita como uma forma de comunicação com o ser que habita em mim. Aquela voz que, na infância, discutia comigo em meus pensamentos. Aquela voz que sumiu, mas às vezes se comunica por meio de textos que a minha mão direita escreve. Escreva o que vier aos pensamentos. Escreva uma linha ou duas. Escreva uma página ou um livro. Publique ou guarde entre as linhas de um caderno. Mas não se esqueça: escreva.

Quando li alguns livros de Charles Bukowski, comecei a imaginar o cara escrevendo. Imaginava ele embriagado, com as garrafas vazias jogadas no chão de uma pensão meio capenga, inclinado sobre a máquina datilográfica. Talvez não fosse assim, mas acredito que aquele velho estava simplesmente escrevendo coisas a esmo, sem eira nem beira, de forma que os livros parecem não ter um grande começo, ou meio, ou mesmo um fim. Mas no meio daquele emaranhado de parágrafos, conseguia identificar o que o tornou um dos maiores poetas da história. Entre palavras e páginas surgiamfrases espetaculares que me atingiam como um soco de realidade.

Repare nas pessoas que leem e/ou escrevem. Elas conversam de uma forma diferente. Elas usam palavras diferentes para expressar sentimentos mais complexos. São pessoas magníficas, se você souber enxergar isso.

Sem mais delongas, deixo aqui uma frase de Mário de Andrade, que explica, em pouquíssimas palavras, aonde eu quero chegar com todo este texto.

Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi”.


Cair ou voar, preguicinha?

papodorooh
1 Comentário

Já tô descendo do ônibus, acabei de te mandar mensagem, cê já ta atravessando a rua e me esperando, você olha para os dois lado, passa entre dois carros, arregaça as mangas da camisa preta que combina perfeitamente com a bermuda preta, sua pele brilha de tão branca no sol com todo aquele contraste de preto e eu fico disfarçando minha baba do outro lado, esperando você atravessar, eu posso pintar um quadro dessa cena, algumas coisas me marcam mais do que um chupão no pescoço, eu lembro perfeitamente de cada gesto do seu corpo nesse instante. Eu só consigo pensar em como eu vou tirar todo esse seu vestuário preto e me aninhar no seu colo feito uma passarinha prenha quando está se preparando pra por seus ovos. Acho que eu esto ficando louca, penso por dois segundos enquanto você diz que tinha visto meu ônibus passar antes de eu descer, eu não sabia nem qual era a cor do ônibus, ainda não sei. Mas quando a gente entra a sua casa ainda tem cheiro de nós. O mesmo lençol, parece que eu nunca tinha saído dali. Leia mais